Escuridão

Sei que esse não é um texto do estilo do blog, já postei uma vez e disseram "Credo!", mas é um texto do qual me orgulho pela sua construção e pela forma que consegui transmitir o sentimento de sofrimento. É meio macabro eu sei, mas gostei...
                 Seria errado dizer que isso vem acontecendo comigo à pouco tempo, pois a verdade é que essa sensação vem me sufocando à meses. É algo inexplicável, uma dor fantasma, um vazio. Durante esses últimos meses, eu tenho me mantido afastada das pessoas e anda sendo comum ouvir: “Como você está sumida”. O que mais me espanta é que é fácil me criticar por estar afastada, porém ninguém se deu ao trabalho de vim ver se eu estou bem ou de ao menos de tentar descobrir o porquê do meu sumiço. Venho me encolhendo na minha cama, tendo como refúgio somente os livros.
                  Meu pais andam preocupados comigo, afinal não é normal uma menina da minha idade passar tanto tempo no quarto em meio a escuridão. Só saio de meu quarto para comer e ver televisão. Não saio de casa e minhas melhores amigas estavam me mandando mensagens pelo celular, mas a minha incapacidade de responde-las me fez retirar a bateria do meu aparelho.
                  Até que hoje de manhã eu, em meio a minha imensa estupidez, resolvi tentar anestesiar esse vazio. Enquanto tomava banho meus olhos focaram em uma lâmina de barbeador. Me senti uma estúpida diante do que prestes estava a fazer, eu, que tanto condenava e achava idiotas a pessoas que se cortavam, passei a entender o que as levava a fazer isso. A dor em meu peito era insuportável, dava nós em minha garganta e enchia meu estômago de borboletas. Depois de tanto chorar por ter pensado em me cortar resolvi agir, eu apertava a lâmina com tanta força entre os meus dedos que eles começaram a sangrar, estendi meu pulso e calculei aonde ficava as veias e artérias, eu não queria morrer, apenas sentir na pele a dor física para conseguir esquecer a dor em minha alma. A lâmina atravessou minha pele. Foi libertador. O sangue escorria, a dor fluía e minha mente pairava, enquanto sentia aquela dor eu esqueci de tudo que havia passado aqueles últimos dias. Era tudo que importava, era o que importava. A dor.

P.S.: Eu nunca me cortei.

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